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A vez de Galamba

18.05.23

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O ministro das Infraestruturas é ouvido esta quinta-feira à tarde em sede de comissão parlamentar de inquérito à TAP. Uma audição que acontece depois de Frederico Pinheiro ter acusado o Governo, perante os deputados, de mentir sobre os acontecimentos do final de abril. O adjunto exonerado do Ministério negou ter agredido quaisquer membros do gabinete de João Galamba, assim como o furto do computador de trabalho. Versão contrariada, em audição subsequente, pela chefe de gabinete, Eugénia Correia.

A audição do titular da pasta das Infraestruturas esteve inicialmente marcada para as 17h00. Foi entretanto empurrada para cerca das 17h30. Realiza-se na sequência de pedido urgente, depois da exoneração, por justa causa, da ex-presidente executiva a TAP, Christine Ourmières-Widener, e do caso da reunião preparatória da respetiva audição parlamentar, com elementos de gabinetes governamentais e o grupo parlamentar do PS, em janeiro.

O caso a envolver Frederico Pinheiro eclodiu a 26 de abril, quando foram conhecidas denúncias contra o ex-adjunto por alegada violência física no interior do Ministério e o denominado furto de um computador portátil. Isto após ter sido exonerado “por comportamentos incompatíveis com os deveres e responsabilidades” inerentes às funções que desempenhava.

A controvérsia subiu de tom ao ser noticiada a intervenção do Serviço de Informações e Segurança para a recuperação do computador.

Ao longo da tarde de quarta-feira, numa audição que se prolongou por cinco horas, o ex-adjunto do Ministério das Infraestruturas Frederico Pinheiro disse ter-se sentido ameaçado pelo SIS com vista à entrega do computador. Negou também ter agredido elementos do gabinete. E acusou diretamente João Galamba de o ter ameaçado, ao telefone, com “dois socos”.

A meio da audição, cinco elementos do gabinete de João Galamba assinaram um comunicado a acusar Frederico Pinheiro de mentir ao Parlamento a reiterar que foram agredidas duas pessoas a 26 de abril e a acenar com a divulgação de imagens de videovigilância que dariam conta do “estado de cólera”, à data dos factos, do ex-adjunto.

Confrontado com este comunicado, Frederico Pinheiro considerou “indecente continuar a assistir a ataques pessoais” e “ameaças veladas”, reconhecendo, ainda assim, que depois de ser “sequestrado no Ministério” o que será possível ver nas imagens “não é uma pessoa tranquila”.

De resto, o ex-adjunto afirmou, por mais do que uma vez, ter chamado a polícia ao Ministério por ter sido “sequestrado”. E negou ter partido qualquer vidro.

O ex-adjunto do ministro das Infraestruturas anuiu ainda a entregar o telemóvel de serviço à Polícia Judiciária, para que se procure recuperar mensagens apagadas no âmbito de uma intervenção que disse ter sido pedida pela chefe de gabinete do Ministério, Eugénia Correia.

Ouvida logo após Frederico Pinheiro, numa audição que perduraria até às primeiras horas da madrugada, a chefe de gabinete diria ter sido ela a contactar o SIS para apreender o computador de Frederico Pinheiro.

Eugénia Correia reiterou que houve agressões por parte do adjunto, quando tentaram apoderar-se do computador, e disse ter estado presente durante o telefonema em que João Galamba demitiu Frederico Pinheiro, garantindo que não ouviu qualquer ameaça por parte do ministro, que estaria tranquilo.

A chefe de gabinete indicou ter recebido um telefonema do SIS após ter reportado ao Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) que havia sido levado um computador com informação classificada por parte do adjunto exonerado.

“Depois de ter pedido uma chamada para o SIRP, sim, recebi uma chamada do SIS", confirmou Eugénia Correia, em resposta ao deputado Bernardo Blanco, da Iniciativa Liberal, para acrescentar ter reportado ao SIRP “que tinha sido levado do Ministério das Infraestruturas um computador onde estavam incluídos documentos classificados, bem como todos os documentos relevantes referentes à TAP dos últimos anos e que tinha sido levado o computador por um adjunto previamente exonerado”.

“Tendo o doutor Frederico Pinheiro levado à força um computador que não lhe pertence”, insistiu a chefe de gabinete, “o que se tentou fazer foi impedir que o computador saísse do Ministério, como é lógico, quando se está perante um roubo, o que se tenta fazer é impedir que a pessoa concretize o ato”.

Já questionada sobre a razão pela qual o telemóvel de serviço de Frederico Pinheiro não suscitou a mesma preocupação, Eugénia Correia argumentou que, de acordo com o diretor do Centro de Gestão da Rede Informática do Governo, o telemóvel estava cancelado, o que não acontecia com os documentos do computador.

Quanto às acusações de agressão, Eugénia Correia disse que, depois de Frederico Pinheiro ter guardado o computador na mochila e de tentado abandonar o gabinete, ela mesma agarrou a mochila.

“Agarrei a mochila do doutor Frederico, nem toquei nele, agarrei na mochila. Em consequência dá-me um murro a mim, e depois a doutora Paula lagarto tentou agarrar a mochila, levou vários murros e depois a doutora Rita Penela tenta igualmente agarrar a mochila”, denunciou.

Ainda segundo a chefe de gabinete, foram efetuados três telefonemas para o 112, um telefonema para a PSP do Bairro Alto e o ministro das Infraestruturas ligou igualmente para a PSP.

"Aguardávamos [fechadas na casa de banho] que as autoridades nos contactassem, porque foram reportadas agressões e roubo de um computador, era o que aguardávamos que tivesse acontecido. Não aconteceu”, reiterou.

Fonte: RTP

 

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