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A cidade japonesa de Hiroshima acolhe, entre sexta-feira e domingo, mais uma cimeira do G7. As sanções contra a Rússia depois da invasão da Ucrânia, as ambições da China em relação a Taiwan e o desarmamento nuclear vão estar em debate.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, deverá receber os líderes das outras seis grandes democracias industrializadas do grupo na cidade marcada pela destruição nuclear em 1945 e que alberga atualmente numerosos monumentos à paz, de sexta-feira a domingo.

A invasão da Ucrânia, lançada pela Rússia há 15 meses, vai dominar a agenda, com “discussões sobre a situação no terreno”, revelou o conselheiro de Segurança dos EUA, Jake Sullivan.

Os Estados Unidos e os seus aliados aumentaram o envio de armas para a Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deverá participar na cimeira do G7 por videoconferência.

As conversações devem centrar-se no reforço das sanções a Moscovo, que já levaram a uma contração da economia russa no primeiro trimestre de 2023.

As repetidas ameaças de Putin de transformar a guerra na Ucrânia num conflito militar já foram condenadas pelo grupo dos sete países mais industrializados do mundo.

Os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e União Europeia deverão também dedicar parte das discussões à China e, em particular, à forma de se protegerem de uma eventual chantagem económica de Pequim, diversificando a produção e as cadeias e as cadeias de abastecimento. Isto numa altura em que o Governo de Xi Jinping se mostra disposto a recorrer a barreiras comerciais.

No entanto, os países europeus, nomeadamente França e Alemanha, querem garantir que a eliminação dos riscos não significa o corte de relações com a China, um dos maiores mercados mundiais, com um conselheiro de Emmanuel Macron a insistir que o G7 “não é um G7 anti chinês”

Outro dos temas em debate vai ser o desarmamento nuclear. Esta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos países do G7 para que declarem que não usarão “em nenhuma circunstância” armas nucleares.

"Este é o momento em que devemos insistir na necessidade de revitalizar o desarmamento e especialmente o desarmamento nuclear", disse Guterres aos órgãos de comunicação social japoneses, antes de visitar Hiroshima.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, quer aproveitar a cimeira para pressionar os restantes líderes do G7 a comprometerem-se com a transparência em matéria de stocks e de redução dos arsenais nucleares.

As autoridades norte-americanas afirmaram que Washington não irá promover uma agenda independente sobre armas nucleares em Hiroshima, enquanto fontes governamentais alemãs afirmaram que o desarmamento nuclear não era uma prioridade, acrescentando que era "importante principalmente para o Japão".

O Japão também convidou oito países terceiros para Hiroshima, incluindo grandes economias emergentes como a Índia e o Brasil, numa tentativa de conquistar alguns líderes relutantes em se oporem à guerra da Rússia na Ucrânia e às crescentes ambições militares de Pequim.

Os líderes do G7 já começaram a chegar a Hiroshima, a cidade que ficou destruída por uma bomba atómica norte-americana, a 6 de agosto de 1945, que provocou a morte a 140 mil pessoas.

Para sábado está prevista uma visita ao Museu Memorial da Paz da cidade, que contém exposições que mostram a dimensão da tragédia.

Espera-se que Kishida, Joe Biden, Rishi Sunak e outros líderes do G7 vejam as exposições, incluindo uma simulação que reproduz a onda de destruição que se seguiu ao bombardeamento, com o custo humano representado pelo mundano - uniformes escolares rasgados, o conteúdo enegrecido de uma lancheira e um triciclo cujo dono de três anos morreu 24 horas depois do bombardeamento.

A decisão do primeiro-ministro japonês de escolher Hiroshima para acolher a cimeira vem acompanhada de uma forte dose de simbolismo, cuja presença física mais marcante, a cúpula da bomba atómica, estará à vista dos líderes quando depositarem flores num memorial fúnebre para as 333.907 pessoas cujas mortes foram atribuídas à bomba atómica há quase oito décadas.

Kishida pretende usar a cimeira do G7 para exortar os seus convidados, incluindo o Reino Unido, a França e os EUA, que, em conjunto, possuem milhares de ogivas nucleares, a comprometerem-se com a transparência sobre os seus arsenais e a reduzi-los.

No período que antecedeu a cimeira, Kishida falou do seu desejo de "um mundo sem armas nucleares".

"Acredito que o primeiro passo para qualquer esforço de desarmamento nuclear é proporcionar uma experiência em primeira mão das consequências do bombardeamento atómico e transmitir firmemente a realidade", afirmou o primeiro-ministro japonês.

Fonte: RTP

 

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