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Ouvido até ao início da madrugada desta sexta-feira na comissão de inquérito parlamentar à TAP, o ministro das Infraestruturas procurou afiançar que não mentiu ao país e quis contrariar a versão dos acontecimentos do final de abril relatada, na véspera, por Frederico Pinheiro. “Há uma história e depois há factos”, alegou. João Galamba garantiu que a principal preocupação, durante os incidentes no Ministério, foi acautelar a segurança dos membros do seu gabinete, negou ter ameaçado o ex-adjunto e reagiu, pela primeira vez, às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando que valoriza a confiança de António Costa.

“Nego categoricamente que tenha ameaçado Frederico Pinheiro, mas afirmo que fui ameaçado por Frederico Pinheiro e não foi pouco, senhor deputado, e pode ter a certeza de que se havia alguém mesmo muito exaltado naquele telefonema não era seguramente eu”, relatou João Galamba, em resposta ao social-democrata Paulo Rios de Oliveira.

O titular da pasta das Infraestruturas referia-se às declarações do adjunto exonerado, durante a audição parlamentar de quarta-feira no Parlamento, onde acusou Galamba de o ter ameaçado “com dois socos” no telefonema em que lhe foi comunicado o afastamento do gabinete, a 26 de abril. Factos que ocorreram depois do regresso do governante de uma deslocação a Singapura.

“A pessoa verdadeiramente exaltada era Frederico Pinheiro que, aliás, a seguir foi fazer o que sabemos que fez, onde de facto agrediu pessoas. O exaltado naquele telefonema não fui seguramente eu”, insistiu João Galamba, reconhecendo ser uma “pessoa colérica”, embora, naquele instante, estivesse “aliviado por resolver” o incidente - e “muito, muito tranquilo”.

O ministro sustentaria que “não há duas versões contraditórias” sobre as notas da reunião preparatória com a ex-presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, recusando a ideia de que tenha havido uma tentativa de ocultar dados ao Parlamento.

“Não há duas versões contraditórias. Há uma história e depois há factos, provas e muitas testemunhas”, insistiu, para acrescentar que, a partir do momento em que o gabinete soube da existência de notas, “tudo o que foi feito foi no sentido de as entregar” à comissão de inquérito à TAP.

Sobre a exoneração de Pinheiro, Galamba disse que se tratou de uma decisão “com efeitos imediatos” por “comportamentos incompatíveis”, dado que o ex-adjunto “desobedeceu a instruções da chefe de gabinete, mentiu a colegas” e ao próprio ministro, deixando várias chamadas telefónicas por atender.

Ainda de acordo com Galamba, a chefe de gabinete, Eugénia Correia, regressou ao Ministério das Infraestruturas na noite de 26 de abril “por duas razões”: remeter o ofício com a resposta à comissão de inquérito parlamentar e “fazer o despacho de exoneração de Frederico Pinheiro”, a pedido do ministro.

João Galamba manifestou a expectativa de que seja “apurada toda a verdade” sobre a noite dos incidentes, remetendo para as autoridades competentes “o trabalho” de investigação: “Eu não me meterei porque não tenho nada a ver com essa matéria”.

No decurso da audição, que se prolongou por mais de sete horas, João Galamba foi também questionado pelo deputado do PSD Paulo Moniz sobre se, após a comunicação de 4 de maio do presidente da República, não se sentiria envergonhado por permanecer no Executivo.

“Pergunta se eu acordo com vergonha. Não, senhor deputado, acordo todos os dias com o sentimento de dever e obrigação de cumprir o meu trabalho que cumpro com orgulho, sentido de dever e, espero eu, com competência. É assim que eu acordo todos os dias, faço o meu trabalho”, redarguiu o ministro.

Galamba quis deixar claro que o que valoriza “é a confiança do senhor primeiro-ministro” e a capacidade de desempenhar as suas funções. “É só isso e mais nada que valorizo e que me dá ou tira noites de sono. Mais nada. Acredite, senhor deputado. Mais nada”, vincou.

Perante os deputados da comissão de inquérito, João Galamba alegou que quem lhe disse a 26 de abril para contactar o SIS foi o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. E que nessa mesma madrugada reportou os acontecimentos a António Costa. Isto em resposta ao deputado da Iniciativa Liberal Bernardo Blanco.

“Ninguém ativou o SIS”, garantiu o ministro.

“A única coisa que posso informar é que foi feito um reporte. A única intervenção do gabinete foi só um reporte”, enfatizou.

Galamba prometeu tentar confirmar a hora exata da entrada no Ministério das Infraestruturas na noite de 26 de abril, momento do incidente com Frederico Pinheiro. Contudo, afiançou que não transmitiu à chefe de gabinete, Eugénia Correia, a instrução para ligar ao SIS.

“O meu telefonema com António Mendonça Mendes termina depois do telefonema de Eugénia Correia com o SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa)”, afirmou.

Os deputados questionaram o governante sobre as diferenças entre a versão que transmitiu na audição e aquela que deu na conferência de imprensa de 29 de abril, quando afiançou que não se encontrava no Ministério quando aconteceu a agressão à chefe de gabinete e à adjunta, telefonou ao primeiro-ministro, que não atendeu, e ao secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, a quem reportou os acontecimentos.

Na mesma conferência de imprensa, Galamba disse que lhe foi transmitido que “devia falar com a ministra da Justiça”. “Reportei o facto e disseram-me que o meu gabinete devia comunicar estes factos àquelas duas autoridades, coisa que fizemos”, relatou então.

Na audição da última noite, o ministro acabou por revelar que telefonou ao ministro da Administração Interna, o que não havia indicado na conferência de imprensa de 29 de abril, “feita quase no calor dos acontecimentos”.

“Reconstruir a verdade dá trabalho”, rematou.

Fonte: RTP

 

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