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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vai viajar até ao Japão para participar presencialmente na cimeira do G7, em Hiroshima. Pouco antes do início do encontro das sete nações mais industrializadas do mundo, Estados Unidos e Reino Unido anunciaram novas sanções contra a Rússia.

A deslocação de Zelensky à cidade japonesa símbolo da paz foi confirmada pelo secretário do Conselho Nacional de Segurança da Ucrânia, Oleksiy Danilov.

“Serão lá [na cimeira] decididos assuntos muito importantes e, por isso, a presença do nosso presidente é algo absolutamente essencial para defender os nossos interesses e apresentar propostas e argumentos claros sobre os acontecimentos que ocorrem no território do nosso país”, explicou Danilov.

Em declarações à BBC, o secretário do Conselho Nacional de Segurança da Ucrânia enfatizou que Zelensky “estará onde o país precisar dele, em qualquer parte do mundo, para resolver os problemas de estabilidade”.

“Quem duvidaria de que o nosso presidente estaria presente na cimeira do G7?”, questionou.

Esta sexta-feira, o presidente ucraniano deverá participar na cimeira por videoconferência, onde vai colocar os líderes do G7 a par das situações no campo de batalha e encorajá-los a intensificar os esforços para restringir o esforço de guerra de Moscovo. No sábado, Zelenski estará em Hiroshima para participar no domingo numa sessão dedicada à guerra na Ucrânia.

Em Hiroshima, o chefe de Estado ucraniano deverá ainda manter encontros bilaterais com o presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro japonês.

No Japão, Zelensky poderá reiterar o pedido de aviões de combate. Numa altura em que alguns países europeus já começaram a falar da possibilidade de entrega de caças F-16 de fabrico americano a Kiev, passando a contrapartida para Washington.

Os Estados Unidos e o Reino Unido já anunciaram novas sanções para procurar restringir a capacidade da Rússia de continuar a guerra na Ucrânia, pouco antes do início da cimeira do G7.

As sanções devem impedir que "aproximadamente 70 entidades na Rússia e em outros países recebam mercadorias exportadas dos EUA, adicionando-as à lista negra do Departamento de Comércio", disse um responsável norte-americano, citando mais de 300 novas sanções contra "indivíduos, organizações, navios e aviões" em toda a Europa, Médio Oriente e Ásia.

Outros membros do G7 também se preparam para "colocar em prática novas sanções e barreiras às exportações", disse o responsável.

O G7 deve trabalhar para interromper o abastecimento militar russo, fechar brechas nas sanções, reduzir ainda mais a sua dependência da energia russa, continuar a restringir o acesso de Moscovo ao sistema financeiro internacional e comprometer-se a congelar os ativos russos até o fim da guerra, assegurou o alto funcionário do governo de Joe Biden.

Os países do G7, grupo formado pelo Reino Unido, França, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Itália – a União Europeia também tem representação no grupo – impuseram sanções sem precedentes à Rússia no ano passado, mas foram cautelosos em áreas que poderiam prejudicar as economias europeias que ainda recuperam da pandemia da covid-19.

A União Europeia vai “limitar o comércio de diamantes russos" como parte das sanções contra Moscovo, anunciou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

"Os diamantes russos não são eternos”, disse, com ironia, Michel à imprensa em Hiroshima, confirmando uma medida da União Europeia que visa “desligar a Rússia dos seus financiadores”.

O presidente do Conselho Europeu garantiu que a União Europeia está empenhada em “fechar a porta às lacunas legais” de que o Kremlin se está a aproveitar para “continuar a atiçar a chama da guerra na Ucrânia”.

Horas antes, também o Reino Unido tinha divulgado novas medidas visando o setor de mineração da Rússia, incluindo o comércio de diamantes, que rende a Moscovo milhares de milhões de dólares todos os anos.

Londres vai impor ainda restrições a vários metais de origem russa, especificamente cobre, alumínio e níquel, além de estar a preparar uma nova ronda de sanções a 86 indivíduos e empresas ligadas ao presidente russo, Vladimir Putin, e à indústria militar russa.

Na quinta-feira, um responsável da União Europeia tinha dito que os líderes dos países do G7 iriam discutir em Hiroshima sanções contra o comércio de diamantes da Rússia, mas notou ser improvável que o bloco chegue a um acordo final durante a cimeira.

Os Emirados Árabes Unidos, a Índia e a Bélgica, que é membro da UE, estão entre os principais importadores de diamantes russos.

O responsável da UE sublinhou que a adesão da Índia seria fundamental para garantir o impacto de sanções nesta área.

A Índia também mantém estreitos laços militares com a Rússia e nunca condenou a invasão de Moscovo à Ucrânia.

E os líderes do G7 poderão apresentar os seus argumentos diretamente ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que foi convidado para a cimeira de Hiroshima juntamente com os líderes de outras grandes economias em desenvolvimento.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que os países do G7 devem trabalhar em conjunto para ter acesso à tecnologia e garantir fontes de minerais críticos para uma transição verde, criando a capacidade de fabricação adicional em vez de competirem.

"Apesar de todas as dificuldades geopolíticas, a transição para as energias limpas está a acelerar", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Agora que o G7 está nesta corrida em conjunto, a nossa concorrência deve criar uma capacidade de produção adicional e não prejudicar os outros", acrescentou Ursula von der Leyen.

Os países do G7 querem atingir a neutralidade carbónica até 2050, o mais tardar, acrescentando a energia eólica, solar e outros tipos de energia renovável.

A União Europeia quer processar 40 por cento das matérias-primas críticas que consome até 2030, reduzindo drasticamente a dependência da China. Atualmente, a União Europeia depende da China em mais de 90 por cento dos minerais essenciais para a produção de energia eólica e de baterias.

Von der Leyen afirmou que o G7 deveria considerar o estabelecimento de objetivos para a criação de capacidade de produção limpa a nível mundial e estabelecer mais alianças ecológicas "entre nós, mas também com outros parceiros de confiança".

"Espero que possamos avançar com um Clube de Matérias-Primas Críticas nesta reunião do G7", frisou a presidente da Comissão Europeia.

O Canadá, membro do G7, possui muitos dos minerais críticos, como o lítio, o cobalto e o níquel, que são usados para fabricar baterias para veículos elétricos, e o Governo está a tentar ajudar os produtores e processadores a aumentar a produção.

A Austrália, que não é membro do G7, concedeu uma série de subsídios a empresas de minerais críticos na esperança de acelerar o desenvolvimento de uma indústria química de baterias. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, participa na cimeira do G7, que decorre até domingo, na qualidade de convidado.

Fonte: RTP

 

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